Aliados de Bolsonaro planejaram golpe – A Polícia Federal (PF) identificou áudios e mensagens de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que apontam para uma articulação de um plano de golpe de Estado.
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Os investigadores afirmam que a trama consistia em incitar ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), hostilizar as urnas eletrônicas, convencer a cúpula do Exército a rejeitar o resultado das eleições em 2022 e prender o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes.
As informações são de reportagem de Eduardo Gonçalves e Thiago Bronzatto no jornal O Globo.
A PF aponta que a investida antidemocrática foi discutida pelo major reformado do Exército Ailton Gonçalves Barros, pelo coronel Elcio Franco e por um militar ainda não identificado.
“(Os diálogos) deixam evidente a articulação conduzida por Ailton Barros e outros militares, para materializar o plano de tentativa de golpe de Estado no Brasil, em decorrência da não aceitação do resultado da eleição presidencial ocorrida em 2022, visando manter no Poder o ex-Presidente da República Jair Bolsonaro e restringir o exercício do Poder Judiciário brasileiro, por meio da prisão do Ministro Alexandre de Moraes, do STF”, dizem os agentes.
“PR 01”
A investigação da PF chegou a esta conclusão após analisar áudios e prints encontrados nos arquivos de um celular de Barros durante uma investigação envolvendo Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
No fim de abril, Moraes concordou que os diálogos indicam uma articulação de uma tentativa de golpe e determinou o “compartilhamento integral” dessas provas com o inquérito que apura a responsabilidade de autoridades pelas invasões às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.
Entre as mensagens que chamaram a atenção da PF, estão duas capturas de tela (prints) de uma conversa entre Barros e um contato denominado “PR 01”, “possivelmente relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Essas imagens foram deletadas e, em seguida, enviadas a Cid. A primeira se referia à intenção de grupos organizadores dos atos de 7 de setembro de 2021 de acamparem em Brasília em 31 de março, data do golpe de 1964.
O objetivo era pressionar os ministros do STF a “saírem de suas cadeiras”.
Impeachment de Moraes
A segunda sugeria inserir nesses movimentos temas de interesse de Bolsonaro como a defesa do impeachment do ministro Alexandre de Moraes e o ataque às urnas eletrônicas.
A PF avalia que há fortes indícios de que Barros não só tinha proximidade com Cid mas também mantinha contato direto com Bolsonaro e se “dispôs a incitar grupos de manifestantes para aderirem a pautas antidemocráticas do interesse do ex-presidente da República”.
Na eleição passada, Barros divulgou – em sua campanha a deputado estadual – um áudio em que Bolsonaro o chamava de “segundo irmão”. O militar da reserva ainda acompanhou o então presidente durante a votação no segundo turno, no Rio de Janeiro.
Procurado, o advogado Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, afirmou que Bolsonaro e Barros não tinham proximidade.
Segundo Wajngarten, houve tentativas de aproximação por parte de Barros durante o período eleitoral, mas os dois nunca mantiveram conversas de teor antidemocrático. A defesa de Barros não foi localizada. O criminalista Bernardo Fenelon, que assessora Cid, não comentou.
No relatório da PF, os investigadores também destacaram dois áudios encontrados no celular de Barros e registrados em 15 de dezembro de 2022.
Os arquivos são atribuídos a um militar da reserva não identificado que tenta acelerar a realização do plano golpista.
“Combatente, nós estamos no limite longo da ZL (zona limite). Daqui a pouco não tem mais como lançar. Vamos dar passagem perdida, e aí é perdida para sempre. Você entende que eu tô falando (…) Tão há 40 e poucos dias, entendeu, até o Braga Neto veio aqui conversar com eles, que nem eu falei, tirou foto”, diz o interlocutor na gravação.
Confira a reportagem do jornal O Globo, na íntegra, clicando aqui.
(Foto: Isac Nóbrega/PR)