Aos 67 anos, o ex-ministro Ciro Gomes filiou-se ao PSDB nesta quarta-feira (22), em ato político realizado em Fortaleza (CE). O movimento marca o retorno do político ao partido pelo qual foi eleito governador do Ceará em 1990 – posição que o projetou nacionalmente e o levou ao Ministério da Fazenda no governo Itamar Franco.…
Aos 67 anos, o ex-ministro Ciro Gomes filiou-se ao PSDB nesta quarta-feira (22), em ato político realizado em Fortaleza (CE). O movimento marca o retorno do político ao partido pelo qual foi eleito governador do Ceará em 1990 – posição que o projetou nacionalmente e o levou ao Ministério da Fazenda no governo Itamar Franco.
A filiação interrompe um período de 35 anos durante os quais Ciro passou por quatro legendas diferentes: PPS, PSB, Pros e PDT. Nesse intervalo, concorreu à Presidência da República em quatro eleições (1998, 2002, 2018 e 2022), consolidando-se como uma liderança de alcance nacional, ainda que sem vitórias no pleito presidencial.
A mudança partidária é entendida como um reposicionamento estratégico para as eleições estaduais do próximo ano. Aliados indicam que a expectativa é que Ciro dispute o governo do Ceará, tornando-se o principal adversário do atual governador Elmano de Freitas (PT), que buscará a reeleição.
O retorno ao PSDB foi articulado pelo ex-governador Tasso Jereissati, que foi padrinho político de Ciro no início de sua carreira. Dentro do partido, a adesão é vista como um movimento de caráter regional, com foco na disputa estadual, sem vínculo com eventuais projetos nacionais.
Busca por unidade na oposição
A filiação integra uma estratégia mais ampla de unir partidos de oposição no estado. Nos últimos meses, Ciro tem se aproximado de legendas como PL e União Brasil, sinalizando aberturas para a formação de uma frente única contra o governo petista.
Figuras como o deputado federal André Fernandes (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) já demonstraram receptividade a uma possível aliança. A principal resistência dentro da oposição vem do senador Eduardo Girão (Novo), que questiona a trajetória política de Ciro e também é pré-candidato ao governo.
Cenário familiar e partidário
A decisão de Ciro aprofundou divergências com antigos aliados, incluindo seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB). Cid, que governou o Ceará entre 2007 e 2014, declarou publicamente que uma candidatura do irmão criaria uma situação “constrangedora” e confirmou apoio à reeleição de Elmano de Freitas.
Enquanto Ciro deixa o PDT – legenda que agora se reaproxima do governo petista no estado –, o PSDB busca recuperar espaço no Ceará após anos de afastamento do poder estadual. A volta do ex-ministro ao partido representa uma tentativa de reativar sua base política local e reconfigurar o tabuleiro eleitoral cearense para 2026.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: reprodução)


