Consumo despenca na Argentina – Após as medidas do novo presidente da Argentina, Javier Milei, a crise no consumo não perdoa nenhum setor do mercado interno. Os mais atingidos variam são compras em supermercados, vendas de eletrodomésticos e automóveis, consumo em restaurantes e até em farmácias, que têm uma demanda de primeira necessidade. Nos locais mais pobres, há tratamentos sendo interrompidos.
Com a inflação em queda, mas com a economia estagnada, a profunda recessão que a economia argentina enfrenta é mais forte entre os setores e indústrias ligados à evolução dos salários e dos níveis de emprego.
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“Estamos diante de um processo inédito, com um ajuste que era considerado inevitável pelos consumidores e que está levando todas as empresas a redefinir suas estratégias de negócios”, diz Guillermo Oliveto, da consultoria W.
A desaceleração da inflação, por si só, não resolve a crise no país vizinho, visto que a queda no ritmo dos aumentos não se traduziu numa melhoria do poder de compra dos salários, acentuando a recessão. Segundo levantamento interno, o consumo na Argentina acumulou uma queda de 10% nos primeiros três meses do ano.
“O consumo privado continua deprimido, com um efeito muito negativo nos primeiros seis meses do ano”, explica Juan Pablo Ronderos, sócio-fundador da MAP, autora do levantamento.
Cesta básica
A recessão é sentida com força em alimentos e medicamentos – vendas de produtos da cesta básica, alimentos, bebidas, artigos de higiene pessoal e de limpeza caíram 10%. As farmácias também enfrentam uma queda de dois dígitos no primeiro trimestre do ano.
A crise não perdoou nem mesmo o comércio eletrônico, que até agora havia se mantido estável em meio à crise argentina. No primeiro trimestre de 2024, houve queda de 5% nas vendas. Já a área de insumos para a construção acumulou queda de 32% em suas vendas nos primeiros três meses do ano, de acordo com a medição do Índice Construya.
Na lista dos setores mais atingidos pela recessão também estão os eletrodomésticos, em média 40% abaixo de 2023. As categorias mais atingidas são consoles de videogame, celulares e geladeiras, com baixas entre 30% e 55%. A área de vestuário também mostra uma queda de 30%.
(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)