Em encontro de cúpula em Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto e público ao presidente francês, Emmanuel Macron, para desbloquear as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O pedido ocorreu durante coletiva de imprensa conjunta, nesta quinta-feira (5), após reunião no Palácio do Eliseu.
“Quero lhe comunicar que não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia”, afirmou Lula, referindo-se ao fato de o Brasil assumir a presidência rotativa do bloco sul-americano no segundo semestre. “Portanto, meu caro, abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo com o nosso querido Mercosul.”
Lula definiu o pacto como “a melhor resposta que nossas regiões podem dar diante do cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e do protecionismo tarifário”. Ao final do discurso, o presidente brasileiro agradeceu a hospitalidade francesa, que, segundo ele, “somente um grande amigo pode oferecer”.
A declaração marca o tom assertivo da visita de Estado de Lula, a primeira de um chefe de Estado brasileiro à França em 13 anos – a última foi de Dilma Rousseff, em 2012. O objetivo central da agenda é reforçar a parceria estratégica bilateral e atrair investimentos, com o comércio entre os países girando em torno de US$ 9,1 bilhões e a França ocupando a posição de terceiro maior investidor no Brasil, com um estoque superior a US$ 66 bilhões.
Ampla agenda bilateral e global
A reunião entre os dois presidentes rendeu a assinatura de 20 atos bilaterais nas áreas de vacinas, segurança pública, educação e ciência e tecnologia. Um dos pontos altos foi o anúncio de uma nova declaração climática conjunta.
Antes de viajar, Lula havia sinalizado a amplitude dos temas a serem tratados. “Certamente, vamos discutir a guerra da Rússia e da Ucrânia, o massacre do exército de Israel à Faixa de Gaza, o acordo União Europeia-Mercosul. Vamos discutir coisas na área da defesa, porque nós temos uma parceria na área do submarino nuclear”, disse o presidente em entrevista no Planalto.
A cooperação na área de defesa será revisitada no sábado (7), quando Lula e Macron se encontrarão novamente na Base Naval de Toulon para tratar do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), um dos eixos da parceria estratégica.
Agenda de honrarias e eventos internacionais
Além dos compromissos oficiais, a visita tem um caráter simbólico destacado. Nesta sexta-feira (6), Lula receberá o título de doutor honoris causa pela Universidade Paris 8 e será homenageado em sessão oficial da Academia Francesa – uma instituição criada em 1635 que, em quase 400 anos, concedeu a honraria a apenas 19 chefes de Estado. O único brasileiro anteriormente reconhecido foi Dom Pedro II, em 1872.
O presidente também participará do Fórum Econômico Brasil-França, que reúne autoridades e líderes empresariais, e de um evento que formalizará o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, status aprovado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio.
A agenda europeia de Lula se estenderá até a próxima semana. No sábado, ele se encontrará com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo. No domingo (8), participará de um evento sobre economia azul em Mônaco. Na segunda-feira (9), seguirá para Nice para a Terceira Conferência da ONU sobre os Oceanos, que reunirá cerca de 60 chefes de Estado. A visita incluirá ainda uma passagem pela sede da Interpol, em Lyon, atualmente comandada pelo brasileiro Valdecy Urquiza, delegado da Polícia Federal.
A visita ocorre paralelamente ao “Ano do Brasil na França”, uma série de eventos culturais que se estenderá até setembro em mais de 50 cidades francesas, começando com uma exposição no Grand Palais que Lula visitará nesta sexta-feira.
(Com informações de Agência Brasil)
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
