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STJ analisa pedido da Itália no caso Robinho nesta quarta; ex-jogador alega racismo

Caso Robinho – Nesta segunda-feira (18), o ex-jogador Robinho publicou um vídeo em suas redes sociais no qual mostra fotos e prints que, segundo ele, comprovariam sua inocência em relação ao caso de estupro de uma mulher de origem albanesa em 2013.

O brasileiro de 40 anos foi condenado na Itália a nove anos de prisão, não cabendo mais recurso da decisão no país europeu. Nesta quarta-feira (20), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve avaliar se aceita o pedido da Itália para que o ex-atleta cumpra sua pena no Brasil.

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Inicialmente, a justiça italiana demandou a extradição de Robinho, mas a Constituição Federal impede que isso ocorra com brasileiros natos.

No vídeo, o ex-atleta repete os mesmos argumentos que utilizou em entrevista à TV Record, veiculada neste domingo (17). Robinho alega que as provas que têm que comprovariam sua inocência não foram consideradas no julgamento que aconteceu na Itália.

Segundo ele, a condenação decorre de uma postura racista da justiça do país europeu. “Minha esperança é que aqui no Brasil eu possa ter o direito de me defender”, diz o ex-jogador.

Trânsito em julgado

A primeira condenação de Robinho no caso foi em 2017, mas ele recorreu e teve suas tentativas esgotadas em 2022, com trânsito em julgado. Ex-jogador da Seleção Brasileira, Robinho teve passagens por Santos, Real Madrid, Manchester City e Milan.

No vídeo publicado, o ex-atacante relata como teria sido a noite em que ocorreu o suposto estupro pelo qual foi condenado na Itália. Robinho estava em uma boate de Milão com amigos e familiares e que, após a esposa deixar o local, afirma que a mulher que o acusa teria se aproximado dele. Ainda segundo Robinho, eles então teriam ido juntos até um local mais reservado, onde se deu a relação sexual de maneira consensual.

O ex-jogador diz que o local era aberto e que seguranças, além de outros clientes da boate, poderiam perceber caso algo de errado estivesse ocorrendo. O brasileiro também confronta a versão – aceita pela Justiça italiana – de que a mulher estaria inconsciente quando eles se relacionaram.

“Fui acusado de ter tido um encontro com uma mulher enquanto ela estava inconsciente. Não é verdade. Ela estava dançando e conversando normalmente”, afirma. Na publicação, Robinho apresenta um suposto exame toxicológico que, segundo o próprio, comprovaria que a mulher não estaria bêbada.

O ex-atleta sempre negou o crime publicamente, mas a polícia italiana gravou conversas dele com amigos, nas quais ele confirma o estado de inconsciência da vítima. As gravações fazem parte do material usado pelo Ministério Público da Itália no processo que culminou na condenação do brasileiro por estupro coletivo.

“Por isso que eu estou rindo, eu não estou nem aí. A mina estava extremamente embriagada, não sabe nem quem que eu sou”, disse o ex-jogador.

Estupro coletivo

O Ministério Público da Itália afirma que Robinho e outros cinco amigos praticaram violência sexual de grupo contra a vítima, que teria sido embriagada por eles e, já inconsciente, levada para o camarim do estabelecimento, sendo estuprada várias vezes.

Amigo do jogador, Ricardo Falco também foi condenado. Os outros quatro homens deixaram a Itália durante a investigação e não puderam ser notificados. O caso deles foi desmembrado do processo.

No vídeo publicado nesta segunda, o brasileiro diz que, após sofrer o suposto abuso, a mulher teria ido para outra discoteca junto com os cinco amigos do ex-jogador que também teriam participado do ato criminoso.

“Uma mulher que tem esse tipo de violência se retrai, tem nojo das pessoas que fizeram isso, quer chamar a polícia. Não foi o que aconteceu.”

“Erro conjugal”

Robinho argumenta que diante de “tantas provas contundentes e gritantes” que provariam sua inocência, a condenação refletiria um racismo estrutural no país europeu, imposta por juízes que, na versão do ex-jogador, são lenientes em casos de racismo ocorridos no futebol italiano.

“Esses mesmos que não tomam nenhuma providência sobre racismo são os mesmos que me julgaram, que não dão nenhuma voz para um negro que está tentando se defender. Tenho absoluta certeza que se fosse europeu, branco, meu julgamento teria sido totalmente diferente.”, aponta.

Robinho conclui o vídeo dizendo que errou por não ter ido embora com sua esposa da boate em Milão naquela noite, mas diz que há uma “distância muito grande” entre cometer um erro conjugal e um ato criminoso.

“Quem comete um crime dessa magnitude tem que pagar e todas as mulheres têm o direito de se defender, mas não foi o meu caso. Meu caso foi uma grande injustiça.”

(Com informações de Folha de S. Paulo)
(Foto: Reprodução)

Por Thiago Manga

Thiago Manga é carioca, jornalista, assessor, já atuou em campanhas eleitorais. Atualmente é Diretor de Redação do Brasil Independente.

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