Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest com deputados federais revela um cenário de significativa resistência no Congresso Nacional ao fim da escala de trabalho 6×1. A proposta, que conta com apoio majoritário da população, segundo outro levantamento, encontra seu maior obstáculo justamente na Casa onde seria votada.
O estudo da Quaest, divulgado no início de julho, ouviu 203 parlamentares, o que representa 40% do total da Câmara. Os dados foram coletados entre 7 de maio e 30 de junho de 2025, com amostra estratificada por região e orientação ideológica dos partidos, espelhando a proporção da representatividade no Legislativo.
Os números mostram que a rejeição ao fim da escala 6×1 é predominante entre os deputados. Praticamente a totalidade da bancada de oposição (92%) se declara contra a medida. O índice de rejeição também é alto entre os parlamentares classificados como “independentes” (74%) e representa a maioria na base governista (55%).
Do lado dos favoráveis, o apoio é minoritário e concentra-se nos partidos aliados do governo: 44% dos deputados da base governista apoiam o fim do 6×1. Esse percentual cai para 23% entre os independentes e para apenas 6% na oposição.
Em contraste direto com a aversão majoritária no Congresso, um levantamento de opinião pública, citado na coluna de Ancelmo Gois no jornal O Globo na semana passada, apontou que 71% da população é favorável ao fim da escala 6×1. A divergência coloca em evidência a diferença de percepção entre a representação política e os representados sobre uma reforma trabalhista específica.
Plebiscito como Instrumento de Pressão
O tema é um dos eixos do Plebiscito Popular 2025, iniciativa organizada por centrais sindicais, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e partidos progressistas. A consulta, que segue até 7 de setembro, coloca em votação duas perguntas, sendo a primeira sobre a “redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6×1”.
O objetivo da mobilização é pressionar formalmente os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Os resultados finais do plebiscito serão entregues ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), buscando alinhar a agenda dos três Poderes com a demanda popular registrada nas pesquisas.
A situação ilustra um desafio para o sistema representativo: enquanto a proposta é vista como uma demanda social urgente por grande parte da população, ela esbarra em uma sólida barreira de resistência no interior do Congresso Nacional, indicando um complexo processo de negociação e pressão política à frente.
(Com informações de Poder360 e O Globo)
(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
